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O Yoga ou A Yoga? O mudrá ou A mudrá? O Ásana ou A Ásana?

Como saber se os termos mais utilizados no Yoga são masculinos ou femininos?

Os termos do Yoga são normalmente escritos em uma bela e antiga língua denominada sânscrito. E por mais que tenhamos a consciência de que dizer o mudrá ou a mudrá fará pouca diferença na técnica em si, vários dos alunos do Yoga em Movimento nos questionam sobre o gênero das palavras em sânscrito.

É muito fácil encontrar textos, por exemplo, que atribuem o gênero masculino para as técnicas corporais: o ásana. Mas também não é difícil encontrar outros textos que utilizam o mesmo termo no feminino: a ásana. E isso ocorre com praticamente todos os principais nomes de grupos de técnicas do Yoga. Ásana, mudrá, púja, kriyá, pratyáhára... Até mesmo a própria palavra Yoga pode ser encontrada tanto no masculino quanto no feminino.

Uma explicação para isso pode ser o fato de que a maioria dos livros de Yoga foram traduzidos do sânscrito para o inglês. E no inglês não existe o yoganidrá ou a yoganidrá. Existem simplesmente the yoganidrá. Para complicar um pouco mais o cenário, no sânscrito existe o gênero neutro, além do masculino e do feminino.

Conhecendo a complexidade da gramática sânscrita e sabendo da inexistência de uma única regra prática capaz de definir o gênero dos termos escritos nessa língua ancestral, utilizamos uma abordagem diferente. Pesquisamos uma enorme quantidade de dicionários de sânscrito para várias línguas ocidentais, e encontramos alguns que especificam o gênero dos termos traduzidos. E é essa pesquisa que queremos compartilhar.

G-neros-dos-termos-em-s-nscrito

Os dicionários utilizados foram:

  • A Sanskrit-English Dictionary - Sir Monier-Williams
  • A Dictionary in Sanskrit and English - H. H. Wilson
  • Dictionary in Sanskrit and English - W. Yates
  • A Sanskrit-English Dictionary - Carl Cappeller
  • A Sanskrit-English Dictionary - Arthur A. MacDonell
  • Dictionnaire Classique Sanscrit-Français - Émile Burnouf
  • Sanskrit-Wörterbuch - Otto Böthlingk

Os termos ásana e dhyána foram definidos como gênero neutro em todos os dicionários pesquisados. Os termos bandha, mantra e yoga foram identificados como palavras masculinas também em todos os dicionários. E os termos kriyá, mudrá e pújá foram apresentados como femininos de forma unânime.

Dhárana foi definido como palavra feminina por Monier-Williams, Yates, Cappeller e Böthlingk. E definido como termo neutro pelos demais.

Niyama não foi encontrado no dicionário de Burnouf. Foi definido como feminino por Monier-Williams e como masculino por todos os demais.

Pránáyáma, Pratyáhára e Samyama foram destacados como pertencentes ao gênero masculino por todas as obras, exceto as de MacDonell e de Burnouf, onde os termos não foram encontrados.

Esses mesmos dois dicionários não apresentam o termo Yoganidrá, que é descrito como feminino em todos os demais.

Sádhana não aparece no dicionário de Burnouf. Mas aparece como termo feminino nos dicionários de Monier-Williams, de Cappeller e de Bötlingk e aparece como termo neutro nos demais.

Situação semelhante ocorre com o termo samádhi: não aparece na obra de MacDonell, aparece como masculino nas obras de Monier-Williams, de Cappeller e de Bôtlingk, e aparece como feminino nos outros.

Por último, pesquisamos o termo yama que é definido como masculino por todos os dicionários, com exceção da obra de Wilson, que o define como um termpo possível de ser interpretado como masculino, feminino ou neutro.

Toda essa pesquisa, apesar de satisfazer boa parte da curiosidade de muitos yogins, está longe de ser conclusiva. Ressaltamos que ela não deve ser utilizada como forma de patrulhamento ou de crítica a professores e alunos que usem os termos pesquisados de outra forma. E lembramos que muito mais importante do que saber se o correto (se é que existe uma forma correta) é falar o ásana ou a ásana, falar o mudrá ou a mudrá, falar o Yoga ou a Yoga, é a execução da técnica em si.

Daniel Tonet

Daniel Tonet

Professor do Yoga desde 2001, fundador do Yoga em Movimento e autor do livro Respiração e Autoconhecimento.

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