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Siddhis - Os poderes paranormais do Yoga

Os fantásticos efeitos obtidos com a evolução no sádhana e a aproximação da meta do Yoga


Os siddhis fazem parte da cultura do Hinduísmo – e por extensão, fazem parte do Yoga também. Podem ser traduzidos como poderes paranormais, perfeições ou realizações.

Na Mitologia Hindu, diz-se que tanto Ganesha quanto Hanuman são detentores dos Astha Siddhis – os oito siddhis principais – e que essas divindades hindus têm o poder de conceder tais poderes a quem quer que seja.

Ganesha e Hanumam podem, portanto, reduzir o tamanho de si mesmos até o tamanho de um único átomo (Anima) ou aumentar de tamanho até o infinito (Mahima). Da mesma forma, podem diminuir (Laghima) ou aumentar (Garima) infinitamente o peso de seus corpos. As demais perfeições que constituem os Ashta Siddhis são a supremacia sobre a natureza (Ishtwa), o controle das forças da natureza (Vashtwa), a habilidade de deslocar-se pelo espaço (Prapti) e o poder de realizar os desejos de qualquer indivíduo (Prakamya).

Já no contexto do Yoga, o Bhagavata Purana menciona cinco siddhis que podem ser obtidos por meio da prática do Yoga e da meditação: o conhecimento do passado, presente e futuro; tolerância ao frio e ao calor; não ser dominado por quem quer que seja; conhecimento do que se passa na mente de outras pessoas; insusceptibilidade ao Sol, ao fogo, à água e a venenos.

A mais tradicional obra de Yoga já escrita, o Yoga Sútra de Pátañjali, também menciona os siddhis. Segundo Pátañjali, “os siddhis podem advir do nascimento ou podem ser obtidos por meio de ervas medicinais, por vocalizações de mantras, pelo esforço sobre si mesmo ou pelo samádhi”.

Vale mencionar que há duas formas diferentes – e válidas – de se interpretar os siddhis. Para muitos, eles realmente são poderes paranormais que podem ser conquistados e devem ser interpretados literalmente. Para outros, os siddhis mencionados na mitologia, nos Puranas e até mesmo no Yoga Sútra são apenas metáforas que ilustram os inúmeros efeitos positivos da prática do Yoga e da meditação. Para a segunda vertente, o famoso poder de levitação não passaria, portanto, de uma forma de dizer que o yogin conquista uma leveza corporal, emocional, mental e espiritual.

Independentemente da sua interpretação, Pátañjali nos alerta: “Esses poderes são obstáculos para alcançar outros níveis de samádhi, embora pareçam perfeições para a consciência ainda em evolução”. Isso porque um yogin que esteja no caminho certo em direção à emancipação do Self e à meta do Yoga pode acabar se iludindo com os siddhis conquistados. Pode acabar deixando o ego interferir no seu desenvolvimento e se desviar do trajeto rumo à libertação.

Com isso em mente, vejamos a seguir alguns dos vários poderes mencionados no Vibhúti Padah, o terceiro capítulo do Yoga Sútra de Pátañjali:

  • Conhecimento do passado e do futuro;

  • Conhecimento das vidas passadas;

  • Conhecimento do que se passa na mente de outras pessoas;

  • Suspensão da sua perceptibilidade visual (o yogin torna-se invisível);

  • Suspensão da perceptibilidade auditiva, olfativa, tátil, etc.;

  • Previsão do momento da própria morte;

  • Força de um elefante e outros animais;

  • Conhecimento do universo;

  • Conhecimento da organização das estrelas;

  • Conhecimento sobre o movimento das estrelas;

  • Conhecimento da constituição estrutural e funcional do corpo;

  • Cessação da fome e da sede;

  • Poderes sobrenaturais da visão, audição, olfato, tato e paladar;

  • Poder da levitação;

  • Domínio do fogo;

  • Habilidade de deslocar-se pelo espaço;

  • Maestria sobre os cinco elementos;

  • Redução do seu tamanho;

  • Domínio dos órgãos dos sentidos;

  • Onipotência e onisciência.

Daniel Tonet

Daniel Tonet

Professor do Yoga desde 2001, fundador do Yoga em Movimento e autor do livro Respiração e Autoconhecimento.

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